Nessa Edição (4)
Meu sistema logístico de conteúdo (content supply chain) que me permite desenvolver minha marca pessoal enquanto eu também trabalho em tempo integral. Ou seja, essa não é uma newsletter de um criador de conteúdo que vive para isso, mas um sistema pra quem tem que estar em dois lugares ao mesmo tempo (empregada e desenvolvendo a própria marca pessoal).
Espero que você goste e recomende pra outros profissionais também!
Abraço, Ana
A linha de produção que me ajuda a produzir meu próprio conteúdo (trabalhando em tempo integral)
Num sábado, sentada no meu sofá, agendando meu conteúdo em diferentes plataformas, depois de mais uma semana de trabalho, me dei conta. Isso tinha virado um sistema. Não era mais só eu postando.
Faz um tempo que eu digo para profissionais de marketing pararem de só operar ferramentas e começarem a construir sistemas de marketing. Aí eu olhei para o que eu mesma tinha montado além do meu trabalho em tempo integral, e percebi que eu tinha feito exatamente o que eu sugeri aos outros fazerem. Construí a minha própria cadeia logística de conteúdo (ou content supply chain). Hoje eu abro ela para você, etapa por etapa, com o nome das ferramentas que eu uso (você pode usar outras).
Consistência é infraestrutura
Publicar toda semana é uma questão de infraestrutura, não de força de vontade num dia ruim. Eu montei um sistema que carrega o peso quando a minha energia está baixa. Essa é a peça que faltava.
O começo: uma humilde planilha
O que me permitiu desenvolver minha cadeia logística de conteúdo foi catalogar o que publicava em uma planilha (Google Sheets). Essa planilha inclui o link para o post (ou artigo) e sua classificação considerando:
- Pilar de conteúdo (eu tenho quatro pilares distintos)
- Língua (no meu caso, eu publico em Inglês e Português)
- Profundidade do conteúdo (os três principais são Conceitual, Estratégico, Como Fazer. Eu também adicionei a opção Divertido para conteúdo que contém memes, fotos de gatos, e todo resto que não cabe nas primeiras três opções).
- Tipo de Ativo (além do texto do post ou artigo). Aqui as opções são: texto curto, texto longo, carrossel, vídeo, infográfico, foto/imagem ou reportagem.
- Fase comercial: três opções: perspectiva, prova e promoção
Para o item 3, eu usei o conceito de Playground (ao invés de funil de compra) da Ashley Faus. Para o item 5, eu usei o framework da Magali De Reu.
ssim que eu comecei a catalogar meu próprio conteúdo, comecei a entender meus próprios vieses, o que eu intuitivamente postava mais (ou menos), etc. Comecei a conversar com o Claude usando essa planilha e métricas que você pode baixar do Linkedin (eu faço essa análise semanalmente).
Aí veio o próximo passo da minha cadeia logística: a minha matéria-prima via os notebooks do Gemini (Google)
Tudo começa na pesquisa, e a minha pesquisa mora no NotebookLM, a ferramenta de notebooks com IA do Google. É a camada mais importante de todo o sistema, então deixa eu detalhar como ela é organizada. Ela tem três camadas.
A primeira é um notebook central, o "Research Ingestion". Ele é a minha fonte de dados. São mais de 350 fontes diferentes ali dentro, atualizadas com frequência (toda semana eu adiciono o que eu leio e acho interessante). Sempre que vou criar conteúdo dentro do meu sistema, eu verifico o que entrou de novo, para nenhuma fonte recente passar batido.
A segunda camada são os notebooks de especialistas (ou meus Conselheiros). Cada um reúne o pensamento de uma voz específica do setor, medição, estratégia de martech, e por aí vai. Quando eu quero testar um argumento antes de publicar, eu levo a minha tese para o Conselheiro certo e peço uma crítica. Eu criei esses notebooks usando todo o conteúdo público dessas pessoas (artigos, passagens de livros, vídeos, etc).
A terceira camada são notebooks por tema, para que eu possa me aprofundar em assuntos específicos ao desenvolver meu texto.
O que amarra tudo isso é um único registro, um arquivo que guarda os IDs de todos os notebooks num lugar só. O resto do sistema aponta para esse registro. Se um notebook muda, eu edito em um lugar apenas. E tem uma regra que eu não quebro: o notebook me mostra onde a fonte está, mas ele nunca vira a citação. O notebook aponta o caminho, mas eu ainda prefiro revisar as fontes mencionadas nos meus textos manualmente.
Próximas etapas: os agentes de IA que construí no Claude (as Skills)
Da matéria-prima até o texto pronto, eu uso agentes de IA que eu mesma construí e rodo no Claude (chamados de Skills), com duas fundações e quatro etapas. As fundações são duas: uma guarda quem eu sou e a minha lista de palavras banidas, a outra guarda a minha voz.
Análise. Eu puxo as minhas métricas do Linkedin e Substack (geralmente últimas 6 semanas) e decido o mix de conteúdo antes de escrever qualquer coisa (eu uso os dados da planilha de conteúdo como o pilar, profundidade, ativo e etapa comercial).
Biblioteca de referências. Fidelidade à fonte, leitura dos notebooks, e o corpus de transcrições que preserva as minhas escolhas bibliográficas, etc.
Desenvolvimento. O motor de rascunho: pilares, estágio comercial, e os frameworks de gancho. Aqui também mora o extrator por entrevista, que literalmente me entrevista com 5-8 perguntas para tirar o meu pensamento, em vez de inventar uma voz genérica no meu lugar.
Edição. O portão final: palavras banidas, remoção da cadência de IA (staccato), e uma verificação que caça tudo que soa a robô. Aqui eu usei material da Magali De Reu novamente, bem como o material do Justin Oberman e o prompt Humanizer do Aditya Vempaty
Cada etapa entrega para a próxima por um contrato. Nada depende da minha memória numa noite corrida depois do expediente. Ao final da minha sessão, eu peço ao Claude que finalize a sessão, criando e guardando um documento que descreve o que foi feito.
A camada visual
Eu criei minha marca (incluindo paleta de cores, mood board, ilustração, mascote, etc), com a ajuda de uma especialista que eu conheci no Substack. Todo esse material virou uma Skill no Claude. Toda capa e todo infográfico saem dessa Skill.
Por exemplo: eu dou ao Claude o título de um artigo e ele me devolve a descrição de três conceitos diferentes. Eu escolho um, e ele gera um prompt de produção completo com o cânone da marca embutido: a paleta exata, a minha personagem, a onça que nunca falta na cena, etc.
A costura
O que faz isso funcionar é a costura entre as partes. Os notebooks alimentam as Skills. As Skills apontam de volta para os notebooks. O texto e o visual seguem o mesmo cânone de marca. E cada peça é modular, então quando uma quebra, o resto continua de pé.
Não é de graça
Isso também exige uma certa manutenção. Quando algo quebra, eu sou o meu próprio time de suporte, por cima do trabalho que já ocupa o meu dia. A IA faz as partes pesadas. Eu dou a palavra final em tudo. Na minha experiência, ainda assim vale muito a pena.
O que você pode fazer com tudo isso
Você pode construir o seu próprio sistema, um que caiba na sua vida, na sua marca, e no tempo que você realmente tem. Comece por uma etapa. Depois conecte a próxima.
Eu também reaproveito meu conteúdo em diferentes formatos facilmente com esse sistema: um artigo também via uma série de posts. Um vídeo vira vários clipes e cada clipe pode ser seu p'roprio post e assim vai.
Se você quer saber mais detalhes desse meu sistema, incluindo como eu construí minhas Skills no Claude, é só me avisar (responda a esse email ou mande mensagem via LinkedIn).
Até a próxima, Ana
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